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Valuation em Startups, Métodos e Aplicação Prática

Valuation em Startups, Métodos e Aplicação Prática

O ciclo de vida das startups, como já mencionado em outra publicação neste mesmo portal[1], inicia-se com a execução de uma ideia inovadora. No início, para a sua formulação, traz consigo aportes de familiares e amigos, quando não dos próprios idealizadores, passando então, em momentos posteriores, para a busca de investimentos externos, os quais podem ser aceleradoras, investidores-anjo, fundos de private equity ou venture capital, entre outros...

Desenvolver um protótipo, ou um simples aplicativo não é o suficiente para colocar o produto/serviço no mercado. Para atingir uma boa parcela, e se tornar “escalável”, novos investimentos e aprimoramentos são necessários. Sendo neste sentido que caminharemos ao valuation.

O investidor ao buscar startups para alocar seu capital busca, além de um produto/serviço escalável, uma empresa que tenha uma estrutura positiva ao risco que ele pretende correr.

Além do que ela oferece, serão analisados fluxo de caixa, patrimônio, endividamento, volume de vendas, tamanho de mercado e etc... ou seja, fatores que influenciarão num resultado, o qual será traduzido no valor da startup.

Este valor será o ponto de partida do investidor para mensurar o quanto irá aportar e em quais condições pretenderá fazer parte do negócio, sendo assim o objetivo de cada investidor não será, necessariamente, o mesmo.

Há investidores que injetam valores “baixos” no início do ciclo da startup apostando na alta valorização da empresa e na venda de sua participação, consequentemente, também valorizada. Há outros formatos, no entanto, como os de Venture Capital e Private Equity, nos quais os investidores terão interesse em permanecer por mais tempo e inclusive no controle da startup.

Métodos de valuation

O propósito de cada modelo de investimento demandará uma diferente forma de valuation, as quais são apresentadas em três métodos. Em primeiro o fluxo de caixa descontado, o qual apresenta ao investidor a habilidade que a empresa tem para gerar caixa no futuro e a necessidade de investimento no negócio. Ocorre, porém que não cabe a todas as fases da startup, pois no estágio inicial ela não terá informações suficientes que possam ser interpretadas precisamente pelo método do fluxo de caixa descontado.

Em segundo o chamado múltiplos de mercado. Este método se utiliza da relação entre indicadores de desempenho com outras variáveis que partem de empresas similares. Ocorre, porém que no ramo das startups, a inovação como objeto principal de seu desenvolvimento acaba tornando-a única no mercando, o que faz tal modelo impreciso, pois não há similares para a comparação.

Por fim, a metodologia de valuation com base no valor patrimonial. Neste modelo será analisado o balanço patrimonial da empresa, sendo descontado dos ativos o valor dos passivos.  A dificuldade neste modelo se encontra no fato de as startups terem como seu principal ativo bens intangíveis como códigos fonte, marca ou fundo de comércio, o que torna difícil a mensuração do seu valor.

Como se observa, devido a dinâmica das startups, para a busca de uma maior precisão deve-se aplicar o método de acordo com o modelo de negócio e sua fase. Os contratos que envolvem o investimento não estipulam apenas o método em que o valuation será realizado, mas também seu momento.

Para isso temos as seguintes situações: O “pre-money”, que se traduz no valor atribuído a startup sem considerar o que a empresa passará a valer após a injeção de capital. E o post-money, que será o valuation atribuído já considerando o que será aportado. A diferença no momento da avaliação do valor da empresa terá consequências na determinação do preço das ações ou quotas da startup, assim como direitos econômicos dos investidores e fundadores, entre outros...

Os investimentos iniciam-se, nas startups, pelos FFF’s(Family, friends or fools), passando aos investidores-anjo, até às rodadas posteriores que visam um maior aporte financeiro, impactando assim no valuation, que tende a ser maior a cada nova investida.

Para entendermos os efeitos disso passaremos pelo seguinte exemplo:

Um investidor injeta R$ 50.000,00 numa startup em fase inicial, a qual não tem qualquer valorização e, pelo risco e por acreditar nos seus fundadores, adquiriu com este montante 10% das quotas da sociedade.

Tem-se hipoteticamente que o investimento possibilitou a startup aumentar as vendas, ou colocar seu serviço à disposição do público em geral, afetando positivamente seu valuation. Porém, pelo ímpeto dos fundadores e necessidade de atingir novos mercados, um novo aporte será necessário.

Digamos que agora o valuation vale 4 vezes o que fora estipulado na primeira rodada. Sendo assim, para que um investidor adquira a mesma parcela do primeiro será necessário injetar R$ 200.000,00. E não mais apenas os R$ 50.000,00 da rodada anterior.  

Essa situação nitidamente trouxe uma grande valorização do dinheiro aportado pelo primeiro investidor, sendo ele devidamente recompensado pela sua confiança nos fundadores. Ocorre porém, que tal situação pode travar a atração de novos investimentos, quando iniciará a grande discussão sobre o valuation da startup.

Tal discussão iniciará, pois em muitos casos o novo investidor não aceitará injetar um valor maior para ter a mesma participação daquele que primeiramente acreditou na empresa. Sendo aqui onde será estipulado o momento da valuation, o método, assim como cláusulas que evitem a diluição de investidores e dos próprios sócios... Tudo isso será englobado pelo contrato de investimento, que nada mais é que a determinação do valuation da startup e as condições de pagamento e saída dos investidores.

A cada nova rodada a tendência de maior valorização e necessidade de mais capital trará investidores que demandarão maior negociação devido a sua profissionalização, o que consequentemente exigirá tanto dos fundadores quanto de quem os assessora uma clara noção do valuation e das cláusulas que sobre ele discorrem.

 


[1] https://comunidade.thelegalhub.com.br/blog/startups-a-cronologia-e-tipos-de-investimentos

Comunidade Legal Hub
Bruno Prazeres
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Advogado atuante no Direito Societário no Marilac Advocacia. Professor Universitário na FACEL. Mestrando em Direito pela Universidade de Coimbra. Cursando LL.M em Direito Societário pelo INSPER.

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