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O PODER DO HÁBITO

O PODER DO HÁBITO

Eu sempre fico surpresa que a grande maioria dos livros “best selles” (se não todos) são de “auto ajuda”... O livro “O poder do hábito” de Charles Duhigg foi (lançado em 2012) e ainda é muito falado no mundo digital, especialmente para a criação de uma vida mais saudável.

Como comer bem, se exercitar todos os dias, meditar, parar de fumar, entre outros, são muitos dos desejos que as pessoas têm para alcançar tal “modelo ideal”. E para que isso aconteça, é necessário criar um hábito, algo que todos buscam, mas nem todos tem a perseverança de solidificá-lo.

Em linhas gerais, o livro é dividido em três partes.

A primeira, nomeada pelo autor de “os hábitos dos indivíduos”, tem um cunho muito científico, meio maçante e difícil de compreender. Nela, explica-se como o nosso cérebro percebe os estímulos e se comporta na criação dos hábitos. Resumo da ópera: mudar qualquer hábito exige determinação e esforço + um hábito não pode ser erradicado, mas sim, substituído + para que isso aconteça, a rotina deve ser mudada! O prazo para que um novo hábito seja consolidado? 21 dias.

A segunda parte, para mim, é a mais genial: “os hábitos de organizações bem-sucedidas”. Contando casos práticos de líderes, atletas e empresas, percebemos como a criação, consolidação e, inclusive, a previsão e manipulação de um hábito tornou cada uma das pessoas e empresas ali retratadas gigantes no seu ramo. Dois dos diversos casos narrados que me chamaram a atenção:

  • Michael Phelps tem como hábito uma técnica de visualização: Depois dos treinos, antes de dormir, logo que acorda e antes de cada competição, ele visualiza todo o seu aquecimento, treino, competição e vitória. O técnico dele chamava isso de “assistir a fita” (a fita que passa na sua cabeça). Ou seja, quando chegava efetivamente a hora da prova, ele já tinha passado por tudo e tinha sido vitorioso em cada estágio – “a prova de verdade é só mais um passo num padrão que começou mais cedo naquele dia e não conteve nada além de vitórias”. Com essa visualização mental ele conquistou um recorde mundial: na final das Olimpíadas de Pequim os seus óculos se encheram de água. Para a maior parte dos nadadores, perder a visão no meio de uma prova seria motivo de pânico. Porém, ele estava calmo porque o resto do dia acontecera de acordo com a sua “fita”. Aquela condição era um pequeno desvio para a qual ele também estava preparado, pois algumas das fitas também incluíam problemas como esse – ele sabia quantas braçadas exigiam para atravessar a piscina e assim o fez! “Foi uma vitória a mais numa vida cheia de pequenas vitórias”.
  • As empresas preveem e manipulam hábitos. Os mercados, por exemplo, colocam frutas e verduras logo na entrada (o que não faz sentido, pois se danificam facilmente no fundo do carrinho) porque os marqueteiros e psicológicos descobriram há muito tempo atrás que se começarmos nossas compras enchendo carrinho de alimentos saudáveis, seremos mais suscetíveis a comprar “doritos, oreos e pizza congelada quando nos depararmos com eles mais adiante”. Igualmente, a maioria de nós vira à direita ao entrar numa loja (a partir de agora você vai se perceber nessa onda!). Por esse motivo, os vendedores colocam os produtos mais lucrativos desse lado.

Por fim, a terceira parte do livro, igualmente curiosa, conta sobre os “hábitos de sociedade”, relatando como grandes movimentos sociais foram iniciados por simples mudanças de hábitos! 

No geral, para mim, o melhor do livro são os casos práticos. Ver como cada pessoa consolidou um hábito e em razão dele se tornou campeã, líder, herói, quebrou paradigmas e, também, firmou uma vida mais saudável, é muito interessante.

Não se assuste com as partes científicas do início; tampouco com o tamanho do livro (as 100 últimas páginas são só de referências bibliográficas!). E se quiser realmente mudar um hábito? Acima de tudo, força de vontade!

 

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