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O impacto da Gestão de Risco

O impacto da Gestão de Risco

 

Quando se toma uma atitude, esperamos que haja uma reação, e com esta vem os riscos. E o que são os riscos? Pois bem, estes representam uma probabilidade, seja ela pequena ou grande, que, caso ocorram, ocasionarão algum determinado impacto, resultado.

Em um escritório de advocacia não é diferente.

Um dos aspectos que orienta a implantação da controladoria jurídica, é a avaliação da administração do cotidiano, em especial, a análise dos riscos. Denota-se que o risco é definido pela exposição à mudança junto a probabilidade de eventos futuros. Por isso, sua análise envolve a identificação de mudanças potenciais impactos esperados.

Os escritórios de advocacia possuem dificuldades em alinhar tal processo à Controladoria Jurídica, por isso é importante compreender a necessidade de avaliação das atribuições e características necessárias para as futuras situações.

Durante o desenrolar da crise, referente a Pandemia do Covid-19, é preciso alinhar o objetivo do escritório ao de seus clientes. Nesse questionamento avalia-se a prestação de serviço, buscando realizar a análise de métricas a fim de avaliar como será traçada a nova direção das ameaças. Cabe ressaltar que, por vezes, a advocacia sucumbe ao negócio, enfatizando o planejamento voltado ao olhar do cliente.

A temática, sobre o “controle de risco”, é uma cultura que precisa ser estruturada dentro do escritório. Como aponta Guilherme Calôba[1], “o risco do projeto é um evento ou condição incerta que, se ocorrer, terá um efeito positivo ou negativo sobre pelo menos um objetivo do projeto”. Compreende-se, então, que gerenciá-los é uma importante ferramenta de organização e controle, devendo ser resultado de muito planejamento. Portanto, imprevistos devem ser evitados, e com eles possíveis impactos e incertezas.

Deste modo, a cultura empreendedora de uma organização tem por finalidade lutar contra as incertezas e ameaças proveniente de seus concorrentes. E para que as mudanças sejam efetivadas, é preciso desenhar uma cultura de acordo com os objetivos e valores da organização.

Juridicamente, o setor de controladoria, que está a frente aos processos, atividades e responsabilidades de gerenciamento das atividades administrativas do setor, junto ao software jurídico organiza informações necessárias para desenvolver um melhor planejamento para o gerenciamento de ameaças. Ciente disso, é fundamental que as operações, rotineiras e não rotineiras, sejam analisadas de formas estruturada.

Em que pese, o processo de gestão de risco alinha o escritório para os momentos de crise, e isso não descarta o jurídico de adequar sua prestação de serviço a esse modelo de controle. A análise dos cenários deve ser planejada de forma ampla, de ambientes que influenciados diretamente as legislações, a economia e as evoluções tecnológicas.

Nesse planejamento toma-se muito cuidado para projetar as hipóteses que podem ocorrer decorrente das interferências externas – pois a estruturação do planejamento do cenário atual pode modificar rapidamente.

Precisamos entender mais sobre gestão de escritórios.

A aplicação do conceito deste termo, em sua interpretação, demonstra que o risco estará sempre presente no escritório.

A Gestão de Riscos, abordado pelo Blackwell Encyclopedic Dictionary of Finance[1], compreende que o “Risco pode simplesmente ser definido como exposição à mudança. É a probabilidade de que algum evento futuro ou um conjunto de eventos ocorra. Portanto, a análise do risco envolve a identificação de mudanças potenciais adversas e do impacto esperado como resultado na organização”.

Com isso, o perigo é interpretado pela possibilidade do acontecimento incerto, fortuito e danoso, associado às leis da probabilidade de fatos inesperados. Essas condições variáveis potencializam a indispensabilidade de avaliação das condições.

A abordagem do determinismo causal do risco é focada em identificar o problemáticas dentro do seguinte ciclo: avaliar, priorizar, definir a estratégia, elaborar o plano de ação, divulgar e planejar. E no cotidiano da administração da controladoria jurídica, podemos observar como cada parte do ciclo pode ser executado para manter a qualidade dos procedimentos implantados. Ou seja, os riscos são tratados por meio de uma estrutura padrão e básica.

Desta forma, o planejamento é definido através do objetivo de cada processo a fim de alcançar a prestação do serviço final.  Nesse ciclo, a administração dos dados será subdividida em quatro itens: entendimento do negócio, análise, melhorias de programas de auditoria e melhorias contínuas. Por isso, é compreender como o planejamento deve avaliar os riscos que são incidentes e/ ou ocorrências a partir de fontes, internas ou externas, que podem impactar, de forma positiva ou negativa, a estrutura.

Nesse contexto, a gestão de risco envolve a quantificação e qualificação da incerteza, o que irá exigir, de sua controladoria jurídica, uma visão integrada e ampla no que diz respeito às perdas e aos ganhos, com relação aos acontecimentos planejados. Cabe ressaltar que, o risco não aborda apenas a incerteza, mas também aquilo que não conseguimos medir, como (situação em que se pode perder ou ganhar), perigo de demanda.

Evidencia-se, desta forma, a importância do planejamento para auxiliar o jurídico na prevenção e na coordenação dos processos diante de uma análise estratégia ampla – diferenciando a prestação de serviço na advocacia.

Em suma, é imprescindível ter mais resiliência na administração desses dados. Buscando, assim, alcançar as melhores formas de superar as crises, contornando os hipóteses e contratempos, investindo no planejamento desses dados.

Denota-se que a controladoria jurídica busca averiguar a necessidade de implementar, ou não, os processos de controle interno, justificando seus desconhecimentos sobre os dados que não estavam sendo processados internamente a fim de almejar os traços futuros. Em razão disso, é fundamental questionar: qual a razão da implementação, qual o seu custo, como implementar e como modificar o comportamento do escritório.

Afinal, todos precisam de controles internos bem elaborados para salvaguardar os processos e o escritório. Vale lembrar que avaliar o andamento processual é um método de controle interno. E por que não aprimorar?

Aparentemente o custo para ter um profissional qualificado no gerenciamento dessas atividades pode parecer alto, e sim, o custo será reflexo de qual controle interno deseja-se aplicar e quais são os recursos que irão auxiliá-lo.

Obviamente, pode-se adequar a estrutura da Controladoria Jurídica do Escritório identificando o fluxo de operações e alocando os pontos relevantes de verificação nas aprovações, autorizações, relatórios, registros e no monitoramento.

Por fim, falar de controles internos, controladoria, procedimentos, conformidade, compliance e auditoria, ressalta a necessidade de melhorias contínuas para que estejamos sempre alinhados aos nossos valores. Bem como, ao avanço que o mundo jurídico sofre frente às revoluções, e agora com a pandemia (covid-19). Afinal, abordar a temática da gestão de risco nos Escritórios de Advocacia é dialogar sobre resiliência diante da capacidade de enfrentar adversidades e sobreviver a elas.

 

 [1]                ASSI, Marcos. Gestão De Riscos Com Controles Internos - Como vencer os desafios e manter a eficiência dos negócios - 1º edição 2012. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580040500/. Acesso em: 24 Mai 2020

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Kamille Ziliotto
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Advogada, consultora em Produção Jurídica, palestrante e autora de artigos em Gestão Legal.

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