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NFTS e CRYPTO ART

NFTS e CRYPTO ART

 

A crypto art surgiu em 2014 quando a Monegraph lançou a primeira plataforma para registro de obras de arte na blockchain. Para ter registro de sua obra o artista realizava o envio da sua arte e está era registrada em um token com certificação digital. Quando a obra era vendida este token era transferido para quem o adquiriu e a transação registrada na blockchain. Estas transações eram realizadas na plataforma Bitcoin.

Em 2015 a artista Sarah Meyohas lança o primeiro token exclusivo para negociação de obras de arte no blockchain chamado de BitchCoin.

A proposta de Meyohas foi bastante ousada, vendendo fragmentos de sua obra Speculation a um valor de $100,00 (cem dólares) por 25 polegadas; desta maneira os BitchCoins podem ser usados para comprar partes da obra ou serem usados para troca de prints de futuros trabalhos da artista.

Obra: Speculation, artista Sarah Meyohas, 2015.

Em 2015 também surge a Verisart uma certificadora de autenticidade de obras de arte na blockchain. O diferencial da Verisart é a proposta de Comércio Justo ou Fair Trade.

O Fair Trade (Comércio Justo) contribui para o desenvolvimento sustentável ao proporcionar melhores condições de troca e a garantia dos direitos para produtores e trabalhadores marginalizados. É uma alternativa concreta e viável frente ao sistema tradicional de comércio[1].

Para obter uma certificação Fair Trade Art ou Arte de Comércio Justo o artista deve atender aos seguintes requisitos na plataforma Verisart: oportunizar que parte do valor arrecadado pela obra possa ser direcionada para instituições de caridade ou leilões; possibilitar que o artista receba pelo menos 50% do valor obtido pelos colecionadores e por último estipular critérios em relação à venda; recebimento de royalties ou restrições de venda.

Em 2016 é criado o Rare Peppers associado à International Federation of Pepe Distribution - IFPD registrando-os na blockchain e transformando-os em tokens negociáveis.

Em 2017 é criado o primeiro token de arte digital na Ethereum - CryptoPunks – sendo considerado o primeiro token não fungível com padrão ERC-721.  Criados por Matt Hall e John Watkinson os personagens são representados por pixels de 24X24 geradas por meio de um algoritmo. Em março de 2021 a venda de CryptoPunks aumentou consideravelmente depois que o pixel 2890[2] foi arrematada por US$ 761,9 mil dólares - aproximadamente R$ 3,8 milhões de reais.

CryptoPunk 2890 - Alienígena

Outro CiberPunk que atingiu valores milionários corresponde ao nº 4156[3] arrematada pelo valor de US$ 1,24 milhões de dólares ou aproximadamente 6 milhões e 200 mil reais.

CryptoPunk 4156 - Macaco

Em 2017 é lançado o jogo virtual CryptoKitties onde usuários compram Gatos Virtuais por meio da Ethereum. O CryptoKitties é considerado o primeiro jogo online a usar plataforma descentralizada na rede. 

O uso de tokens NFT permite que cada criação seja única e autenticável.  Um ponto interessante é que o cruzamento de gatos com características semelhantes podem gerar um novo token com maior valor de mercado.

O maior valor de compra de um gato virtual corresponde ao nº 896775[4] vendido por US$ 173 mil dólares que corresponde a mais de R$ 865 mil reais.

Gato 896775 - Dragão

No ano de 2018 é realizado em Nova York o primeiro festival de criptoarte promovido pelo idealizador da Rare Pepe – Joe Looney - o evento Rare Art Fest reuniu as maiores autoridades em arte digital. Na ocasião a Rare Pepe realizou um leilão do personagem Homer Simpson[5] pelo valor de US$ 39.200.

Homer Pepe

Em 2018 é criado o primeiro museu de criptoarte - Museum of Crypto Art (M ○ C △) que lançou recentemente o seu token M ○ C △ que tem como objetivo garantir a venda de obras de arte durante a Pandemia do SARS COV-19 – Coronavírus.

Em sua essência, o Museu de Criptoarte (M ○ C △) desafia, cria conflito, provoca. M ○ C △ apresenta uma ampla representação de perspectivas destinadas a mudar nosso senso de quem somos. Ele levanta duas questões: "o que é arte?" e "quem decide?" Em sua essência, o Museu de Criptoarte (M ○ C △) desafia, cria conflito, provoca. M ○ C △ apresenta uma ampla representação de perspectivas destinadas a mudar nosso senso de quem somos. Ele levanta duas questões: "o que é arte?" e "quem decide?" (M ○ C △ Manifesto, 2021).

Inicialmente os tokens serão distribuídos para os usuários inscritos desde 2018 que passam a serem curadores do Museu. Inicialmente os artistas interessados criam obras que serão registradas em uma blockchain e inscritas em um NFT e trocam pelo token.

O valor de um token é de aproximadamente R$ 54,89 segundo dados do site CoinMarketCap. A pré-venda ocorreu em 26/05/2021.

Os objetivos propostos pelo Museum of Crypto Art coincidem com as discussões de Franceschet et.al. (2019) sobre a economia da criptoarte apontando que na contemporaneidade esta é uma maneira bastante eficiente de comercialização de obras de arte sem a necessidade de mediação de terceiros.  Segundo os autores a criptoarte permite a monetização das obras e a desmaterialização da arte conceitual em um espaço onde tudo pode ser considerado arte.  Outra observação refere-se ao fato que as criptoartes têm adquirido características próximas ao mercado financeiro em razão da velocidade de inserção de novas obras no mundo digital; portanto projetos de curadoria como o viabilizado pelo M ○ C △ oportunizam negociações baseadas em registros curados por token evitando a hiperinflação das obras. 

O FENÔMENO DA NFT: BEEPLE

O artista digital Mike Winkelmann ou Beeple como é conhecido iniciou sua trajetória de sucesso em 1º de maio de 2007 quando postou sua primeira obra de arte online, fazendo isto por 14 anos seguidos resultando em um total de 5000 mil obras de artes digitais. Este trabalho resultou na obra denominada Everydays: the first 5000 days (Todos os dias: os primeiros 5.000 dias). O artista transformou suas obras em uma colagem de 21.069 x 21.069 pixels (319.168.313 bytes) em formato jpg e em fevereiro de 2021 foi arrematada pelo valor de US$ 69.346.250 milhões de dólares[6].

A obra de Beeple é a mais cara até hoje negociada por meio de NFT. Também é a primeira a ser negociada em uma casa de leilões.

Everydays: the first 5000 days, BEEPLE, 2021.

REFERÊNCIAS

MUSEUM OF CRYPTOART. M○C△ Manifesto. Museum of Cryptoart, 14 maio 2021. Disponível em: <https://museumofcryptoart.medium.com/m-c-manifesto-f2d44d64dd5f>, acesso em 03/06/2021.

FRANCESCHET, Massimo et.al. Crypto art: A decentralized view. Cornell University, 9 de junho de 2019. Disponível em: <https://arxiv.org/abs/1906.03263>, acesso em 05/06/2021.

Nota de rodapé

6 ART REEF. Beeple e o NFT: uma revolução na arte digital. Art Reef, Editorial, 1 abril 2021.  Disponível em: < https://arteref.com/arte-contemporanea/beeple-e-o-nft-uma-revolucao-na-arte-digital/>, acesso em 03/06/2021.


[6] https://arteref.com/arte-contemporanea/beeple-e-o-nft-uma-revolucao-na-arte-digital/, acesso em 02/06/2021.


[5] Imagem disponível em: https://livecoins.com.br/homer-simpson-pepe-vendido-1-7-milhao/, acesso em 02/06/2021.


[4] Imagem disponível em: https://www.cryptokitties.co/kitty/896775, acesso em 02/06/2021.


[3] Imagem disponível em: https://www.larvalabs.com/cryptopunks/details/4156, acesso em 02/06/2021.


[2] Imagem disponível em: https://www.larvalabs.com/cryptopunks/details/2890, acesso em 02/06/2021.


[1] https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/o-que-e-fair-trade-comercio-justo,82d8d1eb00ad2410VgnVCM100000b272010aRCRD

 

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Adriana Siliprandi
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Advogada, Administradora e Empreendedora no mercado de Criptoativos, Tokenização e Fintechs, com foco em Inovação e Blockchain. Palestrante e Coautora dos livros “Blockchain, Bitcoin e Smart Contracts” e “Manual do Crescimento”.

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