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FUTURO DOS EMPREGOS e o COVID-19

FUTURO DOS EMPREGOS e o COVID-19

Sem dúvida alguma vivemos um momento único e disruptivo na história da humanidade. O Covid-19 está impactando a forma como trabalhamos e irá impactar ainda mais em um futuro próximo. O crescimento exponencial da tecnologia, como já mencionado no meu artigo “O FUTURO OU O FIM DOS EMPREGOS? COMO A TRANSFORMAÇÃO DIGITAL AFETARÁ OS EMPREGOS”[1], por si só já causaria um enorme impacto no mercado de trabalho e agora está sendo potencializado pela atual crise causado por esse famigerado vírus por duas razões. A primeira é que muitas empresas estão demitindo seus empregados em razão da política de isolamento social obrigatória imposta pelo Governo e o fechamento de diversos setores da economia, deixando aberto os serviços essenciais à população para controlar a pandemia e a segunda é que nesse período de lockdown as tecnologias têm avançado de forma assustadoramente rápida.

 

Antes do Covid-19, um dos maiores estudiosos nesse assunto, Karl Benedict Frey, previa que 47% dos empregos nos EUA estavam em risco a médio ou longo prazo em razão do aumento da utilização de tecnologia nos processos repetitivos, porém esse número agora deve ser revisado pois o impacto da pandemia, que é um acontecimento totalmente imprevisível, está afetando e afetará o futuro dos empregos de forma certeira e irreversível.

 

Apenas no mês março de 2020, com a chega da pandemia nos EUA, 701 mil posto de trabalho foram fechados[2], quebrando repentinamente um ciclo de 113 meses seguidos de crescimento do emprego naquele país. Em fevereiro, antes da pandemia do Corona vírus, o país havia chegado ao menor índice de desemprego nos últimos 50 anos.

 

No Brasil os impactos também estão sendo estudados e seguramente o desemprego irá aumentar. A FGV através de seu indicador antecedente de emprego (IAEmp), sinalizou uma queda de 9,4 pontos chegando ao menor nível desde junho de 2016.

 

Quais serão os impactos a médio e longo prazo? Isso é difícil de saber, mas a curto prazo os efeitos desse isolamento social com certeza já podem ser sentidos na maneira de trabalhar com a adoção do home office (trabalho em casa) com em tempo integral, sendo que antes apenas algumas empresas permitiam o home office uma única vez por semana. Houve também adesão maciça, por força do isolamento, da utilização de ferramentas tecnológicas que antes eram pouco usadas ou até mesmo desconhecidas em razão da “desnecessidade” de sua utilização. O trabalho à distância está fazendo com que utilizemos com mais frequência os aplicativos para realização de vídeo conferência de equipes com grande número de pessoas, as ferramentas de assinatura eletrônica, compartilhamento de documentos nas nuvens, e outras ferramentas para gestão de projetos e monitoramento de tempo e de produtividade.

 

Todas essas inovações já eram conhecidas pelas empresas e seus empregados, mas eram subutilizadas. No entanto, as tecnologias emergentes em razão da pandemia vieram para ficar e seguramente irão mudar de maneira definitiva o modo de trabalho e de relacionamento entre os seres humanos.

 

Novas oportunidades e maneiras de trabalhar surgirão exigindo que o profissional se adapte rapidamente às novas condições de trabalho à distância com a utilização de ferramentas tecnológicas que permitam a rápida comunicação, eficiência, criatividade, pensamento crítico e inteligência emocional.

 

O fato é que aqueles que mantiveram seus empregos levam alguma vantagem, uma vez estão vivendo essa transição de cultura laboral em tempo real, aqueles que perderam o emprego ou já estavam fora do mercado de trabalho formal há algum tempo terão mais dificuldade para se adaptar.

 

Os profissionais precisam não apenas se adaptar às novas tecnologias, mas também se atualizar com relação as profissões emergentes, ou seja, aquelas chamadas de profissões do futuro que ainda é um campo fértil e pouco explorado pelos profissionais mais experiente ou mais maduros.

 

A cibersegurança ou segurança cibernética, por exemplo é uma dessas novas profissões onde há falta de profissionais especializados e esse mercado de trabalho cresceu 115%. Outra profissão muito promissora é a de gestor de mídias sociais, cujo mercado cresceu nos últimos 5 anos em média 122%.

 

Um ponto levantado por Karl Benedict Frey é se essas novas profissões irão criar postos de trabalho na mesma proporção dos chamados trabalhos tradicionais nas grandes indústrias que geram milhares e milhares de empregos.

 

  1. muitos estudiosos no assunto, parece que não haverá postos de trabalhado suficiente para atender um número cada vez maior de profissionais, uma vez que a população global tem crescimento contínuo, e também devido a automação de processos e a adoção de novas tecnologias com a Inteligência Artificial e Machine Learning (Aprendizado das máquinas).

 

O desafio dos profissionais, dentro ou fora do mercado de trabalho, é encontrar habilidades e aqui entra as principalmente as chamadas “soft skills”, ou seja, aquelas competências que envolvem aptidões mentais, emocionais e sociais. As “soft skills” estão relacionadas à sua forma de criar empatia, de se relacionar e interagir com as pessoas fazendo com que os relacionamentos no ambiente corporativo se tornem melhores e mais agradáveis e, por consequência, altere para melhor a produtividade da equipe.

 

Antes, da pandemia do Covid-19 tínhamos um cenário relativamente previsível e seguro ainda que o avanço da transformação digital fosse algo que, a longo prazo, preocupasse a todos. As empresas já estavam se preparando para a nova era da informação, ainda que umas mais rapidamente que outras, dentro de um espaço de tempo razoavelmente controlado e com orçamento planejado.

 

Com a chegada da pandemia e o caos global com o isolamento social da população e a paralização de diversos setores da economia o cenário mudou completamente e ainda que muitas empresas ainda não tenham percebido esse caos está gerando mudanças em todas as áreas. Desde a indústria pesada, que talvez seja um dos setores mais afetados, o setor de serviços, os profissionais liberais.

 

Essa mudança radical na cultural laboral, no ambiente de trabalho, e a forma de relacionamento física ou virtual veio para ficar e devemos estar com a mente aberta para esse novo momento que estamos atravessando, nos adaptando de forma rápida às novas tecnologias e novas habilidades exigidas pelo mercado.

 

 

 


[1] https://comunidade.thelegalhub.com.br/blog/o-futuro-ou-o-fim-dos-empregos-como-a-transformacao-digital-afetara-os-empregos

[2] https://g1.globo.com/economia/noticia/2020/04/03/eua-perdem-701-mil-empregos-em-marco.ghtml

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