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FAKE NEWS, VIÉS DA CONFIRMAÇÃO E O CENÁRIO POLÍTICO ATUAL

FAKE NEWS, VIÉS DA CONFIRMAÇÃO E O CENÁRIO POLÍTICO ATUAL

Esse cenário atual da pandemia tem gerado uma grande discussão entre o Presidente e os governadores do estados, principalmente aqueles que são de partidos oposicionistas e contrário ao chamado isolamento vertical proposto pelo governo federal e que teria medidas mais flexíveis com relação ao isolamento permitindo que alguns setores da economia voltem as suas atividades, ainda que de maneira parcial, para amenizar as consequências econômicas do desemprego de milhares de trabalhadores em razão da dispensa ou da quebra de diversas empresas que não terão como honrar os seus compromissos financeiros.

 

A decisão do Supremo Tribunal Federal em favor dos estados e municípios proibindo o governo federal de derrubar decisões de governadores e prefeitos e colocando ainda mais lenha na fogueira.

 

Essa guerra político-ideológica tem gerado tensão não apenas na esfera política ou econômica, mas também na população em geral. São milhares de informações contraditórias geradas de todas as partes inclusive por seguidores ou partidários de um e do outro lado o que acaba por confundir ainda mais o cidadão comum que não consegue discernir o que é verdadeiro do que é falso.

 

As informações que nem sempre são verdadeiras proliferam de forma assustadora por diferentes motivos e as pessoas as repassam sem verificar a sua origem ou veracidade gerando ainda mais tensão e confusão, são as chamadas “Fakes News”. Por essa razão, o aplicativo de mensagem mais utilizado no Brasil tomou medidas para coibir a proliferação de notícias falsas permitindo o envio de apenas uma mensagem por vez e marcando a mensagem reencaminhada com uma seta dupla para indicar que a mensagem recebida não foi criada por quem a enviou.

 

Para combater as “fakes news” durante a pandemia o Ministério da Saúde criou um canal de denúncia, isto é, um espaço exclusivo para receber informações virais que serão apuradas pelas áreas técnicas e respondidas oficialmente se são verdade ou mentira, segundo disposto no próprio site da pasta[1], tamanha é a divulgação desse tipo de notícia que só tumultua mais o que já está confuso e tenso. Cria um clima de guerra nos grupos de amigos, de família, e até mesmo em grupos de colegas de profissão. Cada um querendo ter razão sobre o ponto de vista do outro.

 

Outra iniciativa contra as notícias falsas chamado Projeto Comprova, que não tem fins lucrativos, e reúne jornalistas de 24 diferentes veículos de comunicação para investigar e descobrir as “fakes news” exclusivamente sobre o Covid-19 que são compartilhadas nas redes sociais e através de aplicativos de mensagens[2].

 

Há também o fact-checking que é a verificação dos fatos, dados e informações utilizados em um discurso, especialmente os políticos, a fim de detectar erros, imprecisões ou até mesmo mentiras. Essa é uma prática desvinculada das redações dos veículos tradicionais de comunicação, mas que ainda precisa se fortalecer pois o fact-checking é uma prática que exige muito tempo e persistência e isso é uma coisa que, infelizmente, está em escassez nas mídias digitais e até mesmo tradicionais, uma vez que a velocidade em se publicar uma notícia nos dias autuais prevalece sobre a qualidade da mesma.

 

Todos as iniciativas acima são de suma importância no combate a esse novo mal da era digital que são as “fakes news”, mas talvez isso não seja o suficiente. Os políticos que deveriam ter um papel fundamental nessa luta contra as notícias falsas seguindo os princípios estabelecidos por lei, mais especificamente o princípio da moralidade, são os que mais as disseminam ou se não disseminam, as fomentam indiscriminadamente aos seus apoiadores.

 

Esses mesmos apoiadores que além de distribuir deliberadamente boatos com o claro caráter político-partidário com o intuito de causar desinformação ou de enganar os outros, a fim de se obter ganhos financeiros ou políticos, também o fazem repetidamente buscando fontes e notícias que reforçam a sua crença inicial, acreditando aquilo é uma verdade absoluta, ao que se dá o nome de viés de confirmação. É a tendência de procurar apenas aquilo que quer-se ver de forma seletiva e ignorar completamente aquilo que as contradiz.

 

  1. tipo de viés cognitivo é muito utilizado atualmente principalmente no campo político para defender uma ideologia política ou o político de preferência. Aqueles politicamente mais radicais e exaltados, seja de esquerda ou de direita, infestam as redes sociais e aplicativos de mensagens com notícias que são procuradas de forma seletiva e interpretadas de maneira tendenciosa. A maioria das notícias e principalmente os “posts” nas redes sociais não têm base científica alguma, são replicadas sem qualquer critério apenas para convencer a si próprio de que aquela ideia ou afirmação inicial está correta.

 

O viés confirmação é um vício, uma patologia que, na maioria das vezes, é imperceptível àquele que a possui. Além disso as ferramentas de busca usam algoritmos treinados para compreender as vontades e preferências direcionando o usuário àquilo que ele já está acostumado a ver e novamente relegando qualquer outra informação que contradiga a sua preferência ideológica.

 

O mundo fica cada vez mais complexo e difícil de entender, há um bombardeio de informações, isto é, uma quantidade de informações muito maior do que somos capazes de assimilar. Portanto, analisar, raciocinar e verificar a origem e veracidade adas informações é um trabalho árduo e cansativo. Por essa razão, nós tendemos a usar o caminho mais fácil, é a lei do menor esforço. Em regra, pois há exceções obviamente, não estamos acostumados e verificar se a origem da informação é verídica e se sua fonte confiável.

 

O filósofo britânico Sir Francis Bacon no século XVII disse:

 

“Uma vez adotada uma opinião, o entendimento humano busca tudo à sua volta para concordar com ela e apoiá-la. Mesmo que haja mais evidências em contrário, ele as negligencia ou despreza, ou de algum modo as rejeita ou deixa de lado, de maneira que, com grande e perniciosa predeterminação, a autoridade das suas velhas conclusões permaneça inviolada.”

 

Portanto, a conclusão que é essas questões não são novas, elas tem apenas uma roupagem nova ou nomes novos, porém estão no seio na sociedade há tempos sendo utilizada nas mais diversas áreas da ciência para defender um ponto de vista. Contudo, com a quantidade de novas mídias juntamente com o cenário político atual de extremismos as “fake news” e o viés de confirmação ficam cada mais evidentes e precisamos saber filtrar as informações de maneira que não prejudiquem a nossa saúde mental e nem tanto tampouco os relacionamentos familiares, de amizade ou profissional. E como diz o ditado popular “é melhor ser feliz do que ter razão”!

 


[1] https://www.saude.gov.br/fakenews

[2] https://projetocomprova.com.br/?gclid=CjwKCAjwwMn1BRAUEiwAZ_jnEo1PVmm-GMZjqL254vrH5E8rVV3AFQx3XoyRq3orotRJo1JNmnmekxoC--QQAvD_BwE

 

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