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BURNOUT – este é o principal tema para gestão de pessoas neste ano

BURNOUT – este é o principal tema para gestão de pessoas neste ano

A Síndrome de Burnout também conhecida como Síndrome do Esgotamento Profissional (CID-10: Z73.0), pode ser definida como uma das consequências mais marcantes do estresse profissional, e se caracteriza por exaustão emocional, baixa realização profissional, despersonalização, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos.

 

Dentre a epidemia de doenças psíquicas que assolam a classe trabalhadora, verificou-se que a síndrome de burnout é uma moléstia que decorre diretamente de condições de trabalho desgastantes, não só́ pelo excesso de doação física do trabalhador, mas, principalmente, pelo excesso de doação emocional e psicológica ao seu trabalho. Exatamente o que as atuais formas de gestão do trabalho exigem dos trabalhadores: a entrega não só de sua força física de trabalho, mas também de sua força emocional e psicológica.

 

Talvez o maior exemplo atualmente de conduta “anticompliance” que podemos pontuar é a síndrome de burnout.

 

A síndrome de burnout está intimamente ligada às formas autoritárias e rígidas da alta gestão que não garantem o suporte mínimo necessário para que possam trabalhar em condições minimamente dignas, garantindo saúde e bem-estar aos seus colaboradores.

 

Neste caso, surgem sintomas de cansaço, irritabilidade, propensão a acidentes, sinais de depressão e ansiedade, uso abusivo de álcool, cigarros ou outras drogas, surgimento de doenças, principalmente daquelas denominadas psicossomáticas; a despersonalização corresponde ao desenvolvimento por parte do profissional de atitudes negativas e insensíveis em relação às pessoas com as quais trabalha, tratando-as como objetos; e a diminuição da realização ou produtividade profissional geralmente conduz a uma avaliação negativa ou baixa de si mesmo.

 

Esta síndrome está cada vez mais presente no mercado de trabalho. Segundo pesquisa realizada pela Isma (International Stress Management Association), a doença afeta cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros.

 

Por isso, a cultura organizacional é um elemento de fundamental importância no processo saúde-doença, pois delineia as formas de comunicação dentro do ambiente de trabalho, decisivas para a saúde mental do trabalhador. Portanto, em ambientes onde a comunicação é precária, ou seja, sem liberdade para a expressão das insatisfações dos trabalhadores, bem como suas sugestões, há fortes tensões e, por conseguinte, muito sofrimento psíquico e transtornos mentais. E o sofrimento e a insatisfação do trabalhador independem de um quadro nosológico, ou seja, aparecem muito antes da manifestação de um transtorno mental e respondem por grande parte do absenteísmo.

 

A falta de cuidado também dói no bolso das empresas. Depressão e transtorno de ansiedade, que podem estar associadas a casos de burnout, custam US$ 1 trilhão por ano à economia global, apontou um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) há três anos. Além disso, afastamentos por transtornos mentais costumam ser mais longos.

 

Uma torção no tornozelo pode deixar o funcionário longe do trabalho por uma semana, mas uma depressão geralmente leva a uma licença mais longa. No Brasil, essa discussão ainda engatinha, mas pode evoluir.

 

Identificá-la com precisão e no início de seu estágio pode impedir grandes problemas para o funcionário quanto para a empresa. Portanto, profissionais de recursos humanos e gestão de pessoas precisam estar atentos à questão e discutir a pauta dentro da gestão em saúde da organização. A tecnologia, que automatizou processos antes manuais e que tomavam muito do tempo da área, abriu caminho para o RH ter uma melhor aproximação do colaborador, com um objetivo assertivo de identificar a saúde e relação dele com as atividades e empresa. 

Comunidade Legal Hub
Dayanne Artmann
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Advogada. Mestranda. Especialista em Compliance Trabalhista e Gestão de Pessoas. Apaixonada por inovação e tecnologia.

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