[ editar artigo]

As tendências do mundo Jurídico para 2020 - por Guilherme Mattos

As tendências do mundo Jurídico para 2020 - por Guilherme Mattos

Não é difícil prever que a LGPD ainda será um tema muito discutido na área jurídica em 2020, pois entrará em vigência em agosto do próximo ano e, além disso, pesquisas[1] mostram que cerca de 85%[2] das empresas brasileiras ainda não estão preparadas para a nova lei. Portanto, ainda há muito o que ser feito nessa área e ainda ouviremos falar muito nesse tema.

 

Seguindo na mesma esteira da LGPD vem o desafio de gerir e processar grandes volumes de dados, o Big Data, principalmente dados pessoais que tem alto valor econômico e é muito cobiçado pelas empresas, ainda persiste como algo a ser domado. Outro relacionado à LGPD que será tema de muita discussão é o reconhecimento facial que se tornará mais presente e controverso, mas nesse caso a polêmica ficará por conta do uso de imagens no tocante à segurança pública.

 

2019 foi repleto de eventos de tecnologia, alguns deles mais específicos à aplicação de tecnologia ao mercado jurídico. Há muita coisa interessante e inovadora, mas também vi muita coisa igual, repetida, do tipo copia e cola, mas acredito que o mercado tratará de selecionar as melhores soluções, ou seja, aquelas realmente inovadoras.

 

Vários palestrantes internacionais estiveram aqui no Brasil também e acredito que essa seja uma tendência para 2020 já que há um mercado inteiro a ser explorado.

 

Outra novidade que ainda não é muito utilizada aqui no Brasil são os Podcasts que é um novo formato mídia de transmissão por áudio. Há algumas boas opções[3], mas ainda é um mercado pouco explorado na área jurídica.

 

As Startups jurídicas, que são dívidas em duas categorias LegalTechs ou LawTechs, e suas diversas áreas de atuação são umas das principais apostas para 2020. Sem dúvida ainda há muito mercado para o crescimento e inovação e as Startups são, em essência, inovadoras. Das diversas áreas em que essas empresas atuam, arrisco dizer que a mediação pode prosperar muito em nosso país como uma forma de solução de conflitos mais ágil, mais barata e menos formal - bem com uma maneira alternativa de acesso à justiça.

 

Os cursos de curta e média duração que tratam do Direito e novas tecnologias continuarão sendo uma tendência em 2020, muito disso devido a uma grade curricular do século passado e à inflexibilidade no sentido de que todas as matérias são obrigatórias, não há matérias opcionais voltadas para tecnologia, por exemplo. Infelizmente, o ensino jurídico nas universidades brasileiras ainda está muito distante do ideal.

 

Há boas opções de cursos em sites que disponibilizam os chamados “nano degree” de cursos ministrados por universidades estrangeiras de Direito e, também, há ótimas opções de Startups que estão revolucionando na área educacional tanto em conteúdo quanto na didática com cursos de Legal Design, Agile e classes de aula invertidas.

 

Teremos também o M&A em evidência que continuará sendo impulsionado por muitos fatores, um deles é o das empresas envolvidas no processo de fusões e aquisições, pois a economia é dinâmica e não para nunca. A tendência é que este setor da economia gere muito dinheiro, como nos anos anteriores. Além da economia tradicional as Startups também têm contribuído bastante e 2020 os negócios tendem a melhorar. Esse ano de 2019 uma das operações que mais apareceram na mídia foi a compra da Zup pelo Itaú por R$ 575 milhões[4].

 

Os escritórios de advocacia de todos os lugares estão preparados para tirar proveito dessas estatísticas com soluções inovadoras de que todas as empresas precisam, pois garantem que esse processo seja concluído de acordo com as leis. Aqueles que olham para o mundo novo das Startups conseguem visualizar o grande mercado que se abrirá em um futuro próximo e que um escritório de advocacia especializado nesta área do direito provavelmente continuará experimentando um grande crescimento por seus serviços por um bom tempo. O direito societário para Startups provavelmente será um campo de crescimento para muitos escritórios de advocacia no Brasil e no mundo. De olho nisso nos legisladores já vêem criando leis para a criação desse tipo de empresas, como a Lei Complementar 167/2019, também chamada de Lei das Startups. E não para por aí, em 2020 o governo deverá encaminhar Marco Legal de Startups para aprovação no Congresso Nacional.

 

O uso de Inteligência Artificial e Machine Learning está revolucionando a área jurídica e democratizando o acesso a dados e serviços especializados, não há dúvida que estará em evidência em 2020 e nos próximos anos. Uma das tendências para o ano que se aproxima é a utilização cada vez mais frequente de I.A. no auxílio de tomadas de decisões, uma vez que os robôs ajudam a reduzir o percentual de erro humano, bem como gerencia grandes volumes de informações trazendo novas ideias. Um ótimo exemplo é o Chatbot da Souza Cruz para resolver questão consultivas relativas a contratos implementada pelo Departamento Jurídico[5]. Esse tipo de tecnologia permitirá que as empresas tomem decisões melhores, mais rápidas, baseadas em dados e com melhor relação custo-benefício.

 

Esperamos que em 2020 os negócios globais comecem a levar mais a sério os chamados Smart Contracts e as cláusulas contratuais legais inteligentes e veremos um crescente interesse e uso nessa área que ainda está engatinhando. Junto a eles vem o blockchain que já é muito aplicado às Criptomeodas e pelas Fintechs. Há, contudo, a expectativa que as Real State Techs aplicam essa tecnologia de maneira mais incisiva no registro de imóveis.

 

Em 2020, também será um ano na qual as empresas olharam mais para as “soft skills” ou habilidades comportamentais, reconhecerão que alcançar todo o seu potencial significa desenvolver e nutrir uma rede de equipes interconectadas e de alto desempenho, compostas por indivíduos multidimensionais, em vez de grupos isolados de gênios ou superestrelas. Portanto, a habilidade de se comunicar bem e de colaborar ou trabalhar em equipe será mais importante que as “hard skills”.

 

As empresas se reestruturarão para expandir os vínculos da equipe em toda a organização. A mudança de indivíduos super qualificados que trabalham sozinhos, para equipes de alto desempenho o que exigirá novas estratégias para aquisição e desenvolvimento de talentos.

 

As empresas enfatizarão mais a comunicação, a adaptabilidade e o poder de tomada de decisão, experiência dupla em negócios e tecnologia, e ferramentas de colaboração que promovem produtividade e aprendizado.

 

Um ótimo 2020 para todos!

 


[1] https://epocanegocios.globo.com/Tecnologia/noticia/2019/11/84-das-empresas-brasileiras-nao-estao-preparadas-para-lgpd.html

[2] https://www.ecommercebrasil.com.br/noticias/empresas-declaram-nao-prontas-para-lgpd/

[3] https://www.aurum.com.br/blog/podcast-direito/

[4] https://link.estadao.com.br/noticias/inovacao,itau-compra-a-zup-startup-de-uberlandia-por-r-575-milhoes,70003072004

[5] https://www.intelijur.com.br/gejur/noticias/entrevistas/entrevista-com-finalista--souza-cruz

TAGS

2020

Comunidade Legal Hub
Ler matéria completa
Indicados para você