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AS NOVAS TECNOLOGIAS DO SETOR FINANCEIRO PÕE EM XEQUE AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS TRADICIONAIS?

AS NOVAS TECNOLOGIAS DO SETOR FINANCEIRO PÕE EM
 XEQUE AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS TRADICIONAIS?

Nas últimas semanas várias notícias envolvendo o setor financeiro e novas tecnologias relativas aos meios de pagamentos vêem surgindo no mercado e com isso vários questionamentos sobre os benefícios da implementação dessas tecnologias também emergem, isso porque elas mexem com um setor que até o momento nadava em águas tranquilas, já que a concorrência está concentrada entre poucas instituições financeiras. Para se ter uma ideia da excessiva concentração bancária no Brasil, os cinco maiores bancos em funcionamento no país concentram cerca de 80% dos ativos nacionais e de todas as operações de crédito no país, os prejuízos dessa concentração atinge o interesse de toda a coletividade, seja pela quebra da concorrência, seja pelo consequente aumento de tarifas e taxas de juros.

 

Com a pandemia, o pagamento por meio de aplicativos ou meios não convencionais aumentou e as maquininhas de cartão ou uso das máquinas onde se inserem os cartões e digita-se a senha em um teclado físico seguramente, em breve, deixarão de existir já que é possível fazer transações via QR Code, reconhecimento facial e também pagamentos via aplicativos de mensagens como a WeChat da China. Essas novas tecnologias estão permitindo o surgimento de várias Startups no mercado financeiro nos mais diversos serviços e produtos, as chamadas Fintechs. Isso faz com que haja um aumento na concorrência e consequentemente uma melhora nos serviços, bem como a melhora nos preços para o consumidor final.

 

Seguindo a esteira da tendência de inovação e transformação digital, uma das novidades no setor financeiro é o sistema instantâneo de pagamento como o PIX que eliminam as altas taxas cobradas pelos bancos e também realizam as transações financeiras em tempo real e não necessitam de um longo período para a sua confirmação já que funcionam de maneira ininterrupta (24 horas), isso é benéfico para o consumidor, mas principalmente para o pequeno e médio comerciante, que não precisa mais esperar a confirmação da operação após longas horas. A solução une a agilidade na transação com um menor custo. Um exemplo disso é que há instituição financeiras tradicionais que cobram taxas abusivas de até R$ 20,00 sobre uma única transação. Por outro lado, há alguns bancos digitais que oferecem esse serviço gratuitamente.

 

Outra inovação que chegou no Brasil há um mês é o WhatsApp Pay que é uma forma de micro pagamentos através do mensageiro da Facebook, tal qual o WeChat da China que é precursor nesse tipo de operação financeira no mundo, que permite a remessa de dinheiro através do aplicativo e sem qualquer custo ao consumidor. Esse sistema chegou a ser implementado pelo Facebook no início de junho no Brasil, que foi o primeiro país no qual a gigante plataforma digital disponibilizou essa funcionalidade, porém apenas uma semana depois o Banco Central e o CADE suspenderam o seu funcionamento. Essa decisão dos órgãos administrativos competentes foi baseada em um eventual risco de direito da livre concorrência pois se trataria de um ato de concentração.

 

Além dessas inovações acima, há outra novidade que tem incomodado ainda mais as velhas instituições financeiras dos país, que é o chamado Open banking, que tem o conceito de uma plataforma aberta que permite que outras instituições financeiras, como por exemplos as Fintechs, acessar os dados dos clientes que até então era exclusivo da instituição ao qual o cliente é vinculado, desde que haja consentimento do consumidor que é o proprietário desses dados.

 

Mas a mudança que essas inovações podem causar no cenário tranquilo de concorrência no setor financeiro é o que interessa. O Open Banking ou Sistema Financeiro Aberto, permite que o consumidor compartilhe os seus com outras instituições financeiras, inclusive as Fintechs, e obtenha do mercado outras possibilidades de financiamentos, empréstimos e seguros, que antes só conseguiam de uma única instituição financeira, ou seja, aquela à qual era vinculado e, como isso, melhores preços e melhores taxas. Para deixa mais claro, se o consumidor tem conta em uma determinada instituição financeira todas as transações serão realizadas dentro desta mesma empresa, mantendo todas as suas informações em posse desta instituição. Isto limita as oportunidades, aumenta as barreiras e direciona os produtos financeiros pela ótica da empresa, limitando preço, modo de oferta e operacionalização.

 

Essas novas opções no setor financeiro podem se interconectar e poderão possibilitar aos consumidores experimentar diversas opções de serviços que antes não estavam disponíveis no mercado brasileiro, bem como novos modelos de negócios que vêm surgindo com a transformação digital através de Startups que utilizam os dados de forma inovadora para poder oferecer serviços e produtos aos consumidores em geral.

 

O maior benefício para o mercado consumidor será a provável redução de custo e taxas em razão do aumento da competitividade, pois além das instituições tradicionais as empresas emergentes também terão a possibilidade de ter acesso aos dados do consumidor e lhes oferecer serviços e produtos similares por preços mais vantajosos, e a possibilidade dos consumidores compararem os preços entre as diferentes instituições no mercado.

 

Para que tudo isso ocorra teremos que esperar a definição dos órgãos administrativos, Banco Central e CADE, com relação a esses assuntos. Porém, fica claro que há uma pressão das instituições financeiras tradicionais para retardar ou bloquear a implementação dessas novas tecnologias no mercado nacional principalmente em razão do Facebook que seria uma ameaça à altura ou ainda maior que essas instituições já que a plataforma possui cerca de 127 milhões de usuários no Brasil e o WhatApp, por sua vez, está instalado em 99% dos celulares brasileiros, juntando-se a isso os dados pessoais desses consumidores colocaria o WhatsApp pay em larga vantagem com relação às instituições financeiras.

 

Portanto, parece clara a preocupação das instituições tradicionais com a nova concorrência que surge com a implementação das novas tecnologias no setor financeiro, especialmente com a gigante Facebook além das Fintechs que já são uma ameaça real ao sistema tradicional.

 

Por essas razões, está claro que o xeque em que as instituições financeiras se encontram. Basta saber agora como os órgãos administrativos irão atuar e como as instituições financeiras vão se adaptar a esse novo cenário que é irreversível. E esperamos que o resultado seja benéfico para todos, principalmente para os consumidores.

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