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A sociedade pede hoje pelo advogado do amanhã

A sociedade pede hoje pelo advogado do amanhã

Não é de hoje que a maioria dos alunos das inúmeras faculdades de Direito do país saem da graduação com a seguinte dúvida: advocacia, vida acadêmica ou concurso?

 

E, para agravar a situação, geralmente esses três caminhos não reservam – ao menos no imaginário comum – grandes quebras de paradigmas, mas revelam os grandiosos estereótipos do advogado de toga na sustentação perante magistrados, do pesquisador que visa dar aula em tradicionais instituições de ensino superior, e do concurseiro que sonha com a aprovação em um cargo público.

 

Nada contra as três possibilidades comentadas. Mas devemos ter a noção de que esse cenário não revela nada de novo, mas é um sintoma daquilo a que o professor Richard Susskind faz referência em sua obra “Tomorrow’s Lawyers”[1], quando afirma que os advogados de hoje se formam e trabalham nos mesmos moldes dos juristas do século XIX.

 

Ao confrontarmos essa realidade com as características da sociedade 4.0, em que a demanda por inovação e tecnologia crescem exponencialmente em todas as áreas do conhecimento, evidencia-se ainda mais o contrassenso em que pretendem atuar vários colegas.

 

Atividades mecânicas como gestão de contratos, atualização de andamentos de processos, processamento de dados e até a elaboração de documentos de menor complexidade, não podem mais pertencer ao advogado, quem, por sua vez, já vem sendo substituído por máquinas e softwares independentes.

 

Um grande exemplo desse movimento da sociedade foi o J.P. Morgan, maior instituição financeira do mundo que, há poucos anos, adotou um programa chamado COIN (Contract Intelligence), o qual – resumidamente – realiza a análise de acordos de empréstimo comercial, tornando o processo dessas operações mais céleres e baratos. De que forma? Fazendo em segundos, o trabalho que costumava consumir 360 mil horas por ano de dedicação de um advogado, e claro, com uma menor taxa de erros e sem pausas para descanso[2].

 

Portanto, a fuga daquelas carreiras tidas como tradicionais do mundo jurídico não só é fundamental para quem quer se diferenciar no mercado mais concorrido do mundo (temos mais advogados no Brasil do que em todos os países no mundo somados), mas também para aqueles que desejam construir uma carreira sustentável, com protagonismo e possibilidade crescimento constante.

 

O professor Richard Susskind, no capítulo treze da sua obra já mencionada, propõe algumas novas modalidades de negócios do ‘advogado do amanhã’ que funcionam como verdadeiras luzes ao fim do túnel no cenário de substituição da força de trabalho humana pela racionalidade dos algoritmos.

 

Entretanto, podemos dizer que todas elas, assim como as tantas outras novas funções e cargos que eventualmente surjam de outras iniciativas, são pautadas na mentalidade disruptiva do jurista, o que, para tentar concretizar, pode ser transcrita na busca por novas áreas do direito, na atuação próxima ao cliente investindo em inteligência emocional e aperfeiçoando suas soft skills, na constante mentalidade disruptiva para quebrar paradigmas do Direito século XIX e criar novos modelos de negócio, e no foco da inovação e da tecnologia como verdadeiras aliadas do advogado e não como inimigas que roubarão seus empregos.

 


[1] SUSSKIND, Richard. Tomorrow’s Lawyers. Na Introduction to Your Future. 2nd Edition, published in 2017. Oxford, UK.

[2] Veja mais em: https://www.startse.com/noticia/mundo/software-do-jpmorgan

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